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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

A pós-graduação como um espaço agradável

Por Daniela Coelho

Boa parte das pessoas com quem eu já conversei sobre pós-graduação tem referências ruins sobre o ambiente acadêmico. Essas referências vão desde as más orientações que recebem dos seus orientadores (usarei o termo orientadores para me referir tanto a homens quanto a mulheres), até um ambiente pesado, de intensa cobrança e competição, que o próprio programa de pós graduação pode cultivar. Isso sempre me chamou atenção, pois desde o meu terceiro semestre do curso de Biologia eu já tinha interesse na vida acadêmica.
Fiz iniciação científica e mestrado (zoologia) na UFBA e agora estou no doutorado (ecologia) na USP. No início eu realmente achei que meu processo de adaptação seria muito pesado, por estar trocando de área de atuação e de cidade. Porém, andei um passo de cada vez e isso foi essencial para que soubesse que estava escolhendo a pessoa certa, no lugar certo. Primeiro, conheci meu orientador alguns anos antes de fazer a seleção. Fiz o esforço de ir até a universidade onde ele leciona justamente para conhecê-lo e termos nossa primeira conversa sobre a “possibilidade” de orientação - essa galera normalmente é muito ocupada e fazer o contato previamente é essencial. Ele me propôs que tivéssemos uma vivência antes (uma espécie de estágio), justamente para saber se eu me adequaria ao seu estilo de orientação e se ele acharia interessante me orientar. Nada mais justo! Ele me sugeriu também conversar com seus orientandos para saber sobre o seu perfil de orientação e sobre o ambiente do laboratório.
Acho que pouquíssimos orientadores fariam tal sugestão, assim como poucos alunos têm esse feeling de buscar saber onde estarão pisando! Conversar com os alunos que já foram orientados pelo pesquisador e aqueles que estão em via de orientação pode pesar muito na sua escolha. Após estar certa de que seria uma boa decisão fazer o doutorado com ele, iniciamos a etapa de discutir o meu projeto, de forma que a linha de pesquisa que seguiríamos se adequasse tanto aos interesses dele, quanto aos meus, afinal, eu passaria 4 anos da minha vida estudando aquele tema, naquele ambiente e sob aquela orientação.

Quando fui prestar a seleção, tive outra grata surpresa: meu orientador se propôs a discutir comigo cada um dos artigos que cairiam na prova, justamente para garantir que eu me sentisse mais segura para o processo seletivo. Embora essa atitude dele seja um ponto fora da curva, ele provavelmente também estava garantindo que o seu investimento de tempo em mim seria garantido se eu fosse aprovada na seleção! Após ingressar no programa e discutirmos nosso projeto, ele fez uma sugestão que achei brilhante! Eu seria preparada a ponto de, no último capítulo da minha tese, ser a única autora, pois ao final do meu doutorado eu deveria “ser capaz de pensar sozinha numa pergunta, delinear e executar uma pesquisa”, e a participação dele seria apenas para aparar as arestas.

Nesse momento eu realmente entendi que sua preocupação não era apenas com o número de artigos que eu iria produzir ao final do meu doutorado, e sim com a qualidade da minha formação. Ele também incentiva os alunos que integram o laboratório a trabalharem conjuntamente na elaboração de uma pesquisa, sem a participação dele e isso tem sido muito produtivo para o crescimento, união e amadurecimento do grupo. Estamos aprendendo a nos ajudar mais. Além disso, nosso orientador disponibiliza uma hora de reunião semanal para cada aluno discutir com ele o projeto ou qualquer outro assunto que quiser. Ele estuda junto com a gente!

A maioria das pessoas diz que eu vivo num laboratório de conto de fadas, e que orientadores como o meu são raríssimos! Pode até ser, quando pensarmos no grande universo das pós graduações. Porém, assim como o meu, eu tenho convivido com diversos outros orientadores que também se preocupam, e muito, com a sua “prole”. Eu faço parte de uma espécie de laboratório integrado, onde, além do meu orientador, existem três outros professores que agem praticamente da mesma forma. Eles não se importam exclusivamente com a nossa produtividade acadêmica, mas também com a qualidade do profissional que eles estão formando para o mercado.

Ok, agora vamos ampliar a escala. E o ambiente da sua pós graduação? Bom, eu estou muito satisfeita com o programa de pós graduação em ecologia da USP. Pelo tempo que estou aqui, pouco mais de 1 ano de pós e dois anos anteriores de vivência no laboratório, pude perceber que os coordenadores são muito humanos e preocupados com o bem estar dos alunos. Juntamente com os representantes discentes, eles conseguem manter um ambiente onde os alunos têm voz ativa. Há eventos sobre saúde mental, com ciclo de palestras e bate-papo entre os alunos, ou com os professores, sobre depressão, síndrome do impostor, ansiedade, organização de tempo e muitos outros temas que tanto afligem os estudantes. Além disso, temos um espaço destinados aos alunos para apresentação dos nossos projetos, ideias ou para o convite de palestrantes do nosso interesse.  Venhamos e convenhamos, existe algum trabalho sem prazos e cobranças? Não, né? A questão é o que os organizadores do ambiente em que você está inserido estão fazendo para melhorar a sua paz de espírito.O programa cobra prazo e produtividade dos alunos, como qualquer outro programa. O que muda é o que eles fazem para amenizar o estresse ao qual estamos submetidos.

Será que tudo que estou vivendo é um mar de rosas e eu estou iludida com a realidade do ambiente da pós graduação? Claro que não, não me considero uma pessoa tão ingênua assim! O grande xis da questão é saber previamente para onde você quer ir. Como disse o gato do filme Alice no País das Maravilhas, “se você não sabe pra onde ir, qualquer caminho serve”. E quais conselhos eu gostaria de deixar aqui? O primeiro é: busque se informar fortemente sobre o suporte dado por sua pós graduação de interesse à saúde mental dos alunos. Da mesma forma, busque saber quem é o seu orientador de interesse e o que os alunos antigos e atuais pensam sobre ele, tanto como pessoa quanto como profissional. Não esqueça: quem vê lattes não vê coração! A segunda é: não escolha o orientador “apenas” pelo quão produtivo ou expert ele é na sua área de interesse. Escolha também pelo quanto ele vai te respeitar como pessoa e respeitar seus interesses profissionais. Não escolha ”o melhor”, escolha aquele que é capaz de extrair o que há de melhor em você.

Eu sei que não há espaço para todos nesses ambientes ideais, mas quando estamos falando da nossa saúde mental, talvez seja mais prudente refletir se vale a pena estar em lugares que degradem a sua paz de espírito na construção do seu caminho acadêmico ao invés de buscar outras alternativas.


Sobre a autora:

Daniela Pinto Coelho: É bióloga formada pela UFBA, mestre pelo programa de pós-graduação em Diversidade Animal (UFBA) e doutoranda pelo programa de pós-graduação em Ecologia da USP. A autora desenvolve pesquisa com redes de interações tróficas usando serpentes como modelo de estudo. É apaixonada por gatos e por esportes de aventura.

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Os desafios para chegar até aqui


Ilustração: Caia Colla
Terminando de escrever minha dissertação comecei a refletir sobre todos os desafios pelos quais eu passei no decorrer dos dois anos do mestrado para eu poder entregar esse trabalho redondinho, como se tudo tivesse sido perfeito e fácil de concluir. É uma mistura de sentimentos, pois ao passo que fiquei feliz por ter conseguido concluir mais uma etapa, percebi que esse documento não contava nem um terço de todas as desventuras que ocorreram. Na minha opinião, um dos capítulos da dissertação deveria ser um making-of da pesquisa, só pra contar tudo que deu errado e que você teve que resolver para entregar um bom trabalho.
Para ingressar no mestrado é necessário que, no dia da matrícula, você entregue uma Plano de Mestrado contando qual será o objetivo de sua pesquisa, qual a hipótese e o que você pretende fazer para responder essa hipótese. Nossa, até aqui foi fácil, é simples! Basta você seguir o método descrito que daí os resultados serão tratados, você discute com base em muita bibliografia estudada sobre o assunto e pronto. Em dois anos é tranquilo terminar isso. Quem dera! Pelo menos no meu caso não foi assim…Então vou contar um pouquinho pra vocês das desventuras que ocorreram durante o meu mestrado.
Meu trabalho de mestrado consistia, basicamente, em um estudo comportamental de determinados organismos do plâncton marinho por meio de filmagens em um sistema óptico tridimensional. Para construir esse sistema, eu e mais uma equipe de alunos da pós que também usariam esse sistema nos reunimos e, com base em estudos anteriores, fizemos o sistema preliminar, achando que já daria certo. Foi aí que a novela começou. Com os primeiros sistemas, percebemos alguns itens que não estavam legais como aumento, a cor do LED e a forma como o sistema estava disposto sobre a mesa. Então desmontamos o sistema e montamos outro sistema com as alterações necessárias. Essa última frase pode ser repetida mais 3 vezes, pois a cada nova montagem notávamos defeitos e tínhamos que repensar uma nova configuração do sistema. Até que depois de muitos arranjos e rearranjos e com a ajuda de pesquisadores especialistas nesta parte óptica, conseguimos chegar no sistema definitivo. Nossa, até aqui já se foram alguns meses.
Enfim consegui fazer meus primeiros experimentos. Agora sim, é gerar os resultados e partir para o abraço. Infelizmente, não. Nesta etapa do trabalho eu precisaria filmar as trajetórias que o meu organismo-alvo realizava na coluna de água. O software que tínhamos para que as duas câmeras filmassem ao mesmo tempo travava após 20 segundos de filmagem, o que não era muito representativo para mim. Achamos que era memória do computador, mas mesmo trocando para um computador mais turbinado o software apresentava o mesmo defeito. E agora? Para nossa sorte, nosso laboratório conta com um aluno da ciência da computação que desempenha um trabalho formidável. Para esse problema das filmagens nós trocamos o programa e começamos a utilizar um software que ele desenvolveu. Apesar de não limitar o tempo, esse software não disparava as duas câmeras ao mesmo tempo, então tivemos que utilizar dois computadores. Mas isso era passível de falha humana, pois mesmo que eu tentasse, não conseguia clicar com o mouse ao mesmo tempo nos dois computadores. A solução que encontramos foi utilizar dois microcontroladores que eram disparados por um potenciômetro e então as duas câmeras começavam a gravar ao mesmo tempo. Em meio a todos os testes que íamos fazendo o programa ia sendo modificando de acordo com as nossas demandas. Mais um problema resolvido!
Agora sim é partir para os experimentos. Mas o desafio de trabalhar com organismos vivos é que você depende que o mesmo esteja presente no ponto da coleta. Para meu trabalho, infelizmente, esses ajustes foram concluídos em uma época em que não tinha tantos exemplares para que eu pudesse realizar os meus experimentos. Enquanto isso o jeito era fazer coletas diárias, até que o organismo surgisse e, então, realizar os experimentos. Até aqui vários meses já se passaram, mas eu consegui realizar os experimentos.
Após as filmagens, os vídeos eram tratados por meio de um programa que nos dava como resultado final a trajetória realizada pelo organismo (além das coordenadas e dados numéricos relevantes para o estudo). Mas como esse texto é para relatar as desventuras que aconteceram, você já pode imaginar que alguma coisa aqui também deu errado. Pois bem, o programa que me forneceria as trajetórias do organismo não comportava vídeos tão longos quanto os nossos. Então mais uma vez fomos atrás de nosso “amigo-luz” e ele desenvolveu um software que nos daria a trajetória dos organismos, independente do tamanho do vídeo. Talvez aqui você esteja achando que é fácil desenvolver um programa, mas não é! Ele desenvolve para o objetivo que precisamos, nós testamos, verificamos o que precisa implementar, o que precisa mudar, e por aí vai, até chegarmos no ponto que precisamos e que talvez para outro trabalho ainda esteja sujeito a alterações. Mais um problema resolvido!
Agora sim, tratar os dados e analisar os resultados. Não que esta etapa seja fácil, mas olha quanta coisa foi feita além do que estava escrito no Plano de Mestrado inicial (isso porque contei resumidamente!). Eu não esperava me deparar com tantos desafios. Sabia que não seria trivial, mas também não esperava que nesse período eu tivesse que resolver tanta coisa. Para o mestrado eu precisei ser mais que uma bióloga...aprendi a soldar, fazer ligações elétricas, entender de física, ser técnica de computador, entender um pouquinho de programação e tudo o que foi necessário para que meu trabalho saísse.
Além de tudo o que vai acontecendo, todos os obstáculos da pesquisa, você ainda tem que lidar com sua vida pessoal. Essa parte é complicada! Muitas vezes, por problemas pessoais me senti empacada diante de um monte de coisas pra resolver. Não importa o tamanho do problema, sei que muitos passaram por coisas piores no decorrer de sua pesquisa, mas sendo ela pequena ou grande, é algo que mexe com você e te faz sentir incapaz de avançar (Veja como exemplo nosso post, O que aprendi sobre saúde mental na pós-graduação).
Bem, mas apesar de tudo o que foi contado aqui, eu cheguei ao final do mestrado com o sentimento de dever cumprido. Para mim, é muito importante compartilhar com vocês todas as minhas desventuras, pois mostra o que envolve fazer uma pesquisa...são muitas tentativas, erros e acertos, para no final publicarmos um trabalho lindo, impecável e redondinho. Mesmo com toda a pressão e obstáculos que tive que passar, eu amo o que eu faço e a cada dia tenho mais certeza que fiz a escolha certa, apesar de todos os desafios para chegar até aqui!



E você, qual foi o desafio que você teve que enfrentar na sua pesquisa? Compartilhe com a gente um pouquinho de sua história!

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

O que eu aprendi sobre saúde mental na pós-graduação

Por Carolina Maciel
Não é novidade existirem alunos reclamando sobre a pós-graduação. Os comentários são sempre os mesmos: “isso me deixa nervoso”, “não estou conseguindo fazer isso”, “não vou conseguir entregar a dissertação/tese no prazo”, além do clássico: “estou cansado(a)!”.
Depois de 4 anos exaustivos e uma média de 140 provas sobre diversos assuntos , como num passe de mágica eu finalmente repousaria no “paraíso da pós-graduação”, mesmo sem a advertência sobre as seis horas diárias de dedicação aos estudos para conseguir o tão sonhado lugar na universidade pública.
Os motivos para que alunos recém-formados procurem a pós-graduação são muitos: realização profissional, pessoal, pressão de terceiros, indecisão na carreira, oportunidade de renda, etc., e independente de qual seja o motivo, a maioria das pessoas procura fazer o seu melhor trabalho.
 Apresentando meu trabalho de mestrado na
conferência Latino-Americano SETAC.

A
ssim como eu, muitos sonham em se especializar na área que mais teve afinidade na graduação, vendo o mestrado (ou doutorado) como uma opção de aprofundar seu conhecimento. Até aí, nenhum problema em vista.

O problema começa na forma em que a pós-graduação é encarada pelos alunos, pesquisadores e universidades. A regra da pós-graduação é levar os alunos até o seu limite: sono atrasado para cumprir prazos apertados, relatórios, matérias de especialização, progresso na pesquisa, cobranças do orientador...
Cobranças, sono atrasado, estresse e vida social restrita: bons ingredientes, que misturados, dão uma boa porção de distúrbios psicológicos. Não foi diferente comigo. Eu sempre achava: “tenho que tomar cuidado, mas é LÓGICO que isso não vai acontecer porque estou no controle”.
Ilustração: Caia Colla
Num dia ensolarado, trocava a praia pelo computador para começar a analisar meus resultados, quando, de repente, um clarão invadiu meus olhos, esqueci completamente meu nome, os comandos do programa que utilizava de olho fechado, o que eu estava fazendo de frente para o computador... E então eu senti um vazio extremo, como se todo o esforço e conhecimento tivessem desaparecido. Me vi no fundo do poço.
Hoje sei que o que tive foi apenas uma das muitas crises de ansiedade causadas pela pós-graduação, o que me levaram a procurar ajuda psicológica externa. A pós-graduação tinha se tornado um peso para mim e que se eu continuasse a carregá-lo, iria entrar em depressão. Com essas palavras, eu resolvi parar.
A pós-graduação nunca me ensinou a parar, e sim a continuar exaustivamente até conseguir minha melhor performance na pesquisa. Mas o que não te ensinam é que o cansaço estraga tudo e pausas (como férias) são extremamente importantes para a produtividade e manutenção da saúde mental.
As pausas dentro da pós-graduação não são bem vistas. Já que a gente “só estuda”, por que tirar férias? Pois é, se consultar o site do CNPq (principal órgão brasileiro financiador de pesquisas), não existe férias para alunos de pós-graduação. A dedicação deve ser exclusiva.
Nesse processo de adoecimento pela pesquisa, passei por crises de choro, inseguranças sobre o que estava fazendo no laboratório, ilusão de perseguição pelos meus amigos de trabalho, sentimento de que não era boa o bastante e o mais extremo de todos: o sentimento de que se eu tirasse a própria vida, o sofrimento de me sentir inferior na pesquisa, pararia.
E essa não é uma realidade distante. Há alguns dias infelizmente perdemos um aluno de pós-graduação do Instituto Biociências da Universidade de São Paulo, vítima de distúrbios psicológicos relacionados à pós-graduação.
A universidade e a ciência no país são completamente ingratas. E desde o dia em que eu não via mais sentido em viver, ressignifiquei tudo na minha vida. O que incluiu a minha relação com a pós-graduação.
Reclamamos dos nossos orientadores, mas eles também são cobrados tanto quanto nós, criados nesse sistema onde o seu sobrenome e ano de publicação valem mais e são treinados dentro das universidades para explorar o potencial de cada aluno.
A universidade não está pronta para considerar a questão mental nos programas de pós-graduação. Não nos sentimos acolhidos, e sim num campo de batalha: “aos vencedores, os artigos científicos!”. Sustentar a própria pesquisa no ambiente hostil das universidades torna os alunos e pesquisadores exaustos, aumentando as chances de desenvolver distúrbios psicológicos sérios como a depressão.
A insegurança sobre o financiamento de nossas pesquisas no país é um fantasma que nos assombra e contribui para que nossa saúde mental seja afetada; afinal, hoje fazemos pesquisa, mas amanhã, não sabemos como nos manter financeiramente fazendo o que amamos no laboratório.
Então qual seria a solução? Garanto que pausas resolvem parte do problema. Se dedicar ao que gosta (por mais clichê que seja) também é importante. Eu por exemplo, comecei a meditar, virei vegetariana e estou começando a empreender em algo que gosto. Fazendo isso, treinei a minha mente para não sentir culpa de viver além da pós-graduação e passei a me ver também como “pessoa”, além de “pesquisadora”.
Fazer ciência é uma viagem prazerosa, mesmo que às vezes existam pontos de stress (stress saudável existe, sabia?). Se procurarmos no dicionário, “ciência” não é sinônimo de “sofrimento”. Desde que entendi isso, passei a relaxar, curtir a viagem sem pensar tanto no destino.

As férias da pós-graduação
(sim, elas existem!)
Dedicação exclusiva sem férias é a regra da pós-graduação no país, mas pela minha saúde mental, eu resolvi ser exceção. Os resultados só foram positivos: a minha produtividade aumentou, as minhas relações interpessoais melhoraram, me apaixonei novamente pela pesquisa e consegui reencontrar o motivo pelo qual comecei a pós-graduação.
Não é normal nenhum tipo de sofrimento causado pela pesquisa na pós-graduação. Nem pequeno, nem grande. Por isso, se já está na pós-graduação ou ainda pretende ingressar, vai meu conselho: cuide muito bem da sua saúde mental.

Sabemos o quão difícil foi o caminho até aqui e desistir do que se ama não deve ser uma opção. Sempre existe um jeito mais leve de se encarar a pesquisa. Que tal começar a experimentar?

Sobre Carolina Maciel:
Bióloga marinha pela Universidade Santa Cecília, atual aluna de mestrado do programa de pós-graduação em Oceanografia da USP. Ama o mar e seus mistérios. Educação é sua paixão e autoconhecimento é sua palavra.